A Capa chega aos seus 50 anos





O quarto ciclo histórico da Capa dos Pobres tem início nos anos 1970, com a chegada da família Holzmann à Casa, o que desencadeou um período de desenvolvimento que culminou com a demolição da sede construída em 1941 e a edificação de um novo prédio, inaugurado em 1987. A partir deste ciclo, existe mais documentação disponível, o que nos permite uma narrativa mais detalhada, inclusive com fotos da época.


Já perto da Capa completar 50 anos de fundação, Ruy Holzmann (foto acima), recém-chegado de Ponta Grossa, veio à Capa dos Pobres em 30/06/1971, acompanhado de suas filhas Mabel e Márcia, pedir autorização para trabalhar na Casa. Àquela época, Ruy Holzmann era muito atuante no movimento espírita, como orador, escritor e médium. Obtida a autorização, já em julho iniciaram as atividades de um grupo mediúnico. Em agosto, tiveram início as aulas dominicais, ministradas pela família Holzmann, que deram origem à Escola de Evangelização André Luiz. Em outubro, Ruy Holzmann transferiu para a Capa um grupo de evangelização e passes que ele dirigia na residência de Margarida Meirelles, dando origem à atividade que existe até os dias atuais nas quartas feiras à tarde. E em 24/12/1971, antes mesmo de completar 6 meses atuando na Casa, Ruy Holzmann desencarna precocemente, aos 61 anos. Mas seus familiares permaneceram vinculados à Capa dos Pobres, o que foi determinante para os novos rumos que o Centro tomaria nos anos seguintes.


Nessa época, a presidência da Casa era exercida por Antenor Alves Teixeira, que dirigiu a Capa entre 1971 e 1974. O presidente Antenor frequentava a Capa desde 1935 e conheceu pessoalmente os fundadores da Casa. Originalmente, seu mandato terminaria em 1973, porém uma decisão de 1972 prorrogou o período até 1974, de modo a propiciar a adequação dos mandatos à data de eleição da URE – União Regional Espírita. A partir de então, as eleições passaram a acontecer em agosto e as posses em setembro, como ocorre até hoje na instituição.


Em 05/06/1972, às vésperas do aniversário de 50 anos da Casa, uma decisão muito importante para os 50 anos seguintes foi aprovada: a organização do primeiro Departamento Doutrinário da Capa. No final do mesmo ano, foi criado o “Curso Básico da Doutrina Espírita”, com 40 aulas, baseados em um programa elaborado pela Federação Espírita do Paraná (FEP) e ministrado por 4 instrutores: Alvacélia Almeida, Leopoldo Almeida, Alcyone Holzmann e Rita Amélia Moreira Pinto.


Para a comemoração dos 50 anos da Capa, foi organizada uma semana de palestras:

24/06/1972 – Celio Costa

25/06/1972 – Leopoldo Almeida

26/06/1972 – Ney Meira Albach

27/06/1972 – João Alberto Donha

28/06/1972 – Alexandre Sech


Na noite de aniversário, 28/06, a palestra do Dr. Alexandre Sech foi prestigiada pelo presidente da FEP, João Ghignone e contou com uma homenagem especial à Maria Acácia de Brito, fundadora da Casa que teve a felicidade de presenciar esse momento especial.


Em dezembro de 1972 iniciou-se a tradição dos Bazares Beneficentes. O primeiro Bazar foi organizado por Ivanyr Teresinha Holzmann (Nini), dando origem ao que hoje é o Grupo de Bordados Tia Nini, ainda ativo nos dias atuais.


Curiosamente, na reunião de Diretoria de 27/01/1973 foi efetuada a análise de uma proposta para modificar o nome do Centro para “Alvorada Nova”, que não foi implementada.


Em 1973, um reforma geral foi realizada na casa: houve a troca de toda a fiação elétrica, instalação de nova iluminação, a construção de calçadas ao redor da Casa (para evitar alagamentos) e uma nova pintura da sede. Esta reforma foi generosamente custeada por Amélia Zinezzi Holzmann, viúva de Ruy Holzmann.


Manoel Alves Teixeira retornou à presidência da Capa pela terceira vez, em 1974. Neste ano, a palestra de aniversário foi proferida pelo orador Honório Mello. Também nesta época, a Casa começou a distribuir enxovais para recém-nascidos, em um limite de 5 enxovais por mês, que era a capacidade possível para os recursos da época.



BIOGRAFIA RUY HOLZMANN



Filho do Maestro russo Jacob Holzmann e Maria Joanna Guimarães de Paula, nasceu em Ponta Grossa (PR), em 4 de janeiro de 1910, irmão gêmeo de Rubens Holzmann, dentista desencarnado em 10 de setembro de 1944, em Tibagi (PR), em desastre aéreo.

Foi aluno do famoso Padre Lux, no Colégio (Grupo Escolar) São Luiz. Pelas dificuldades naturais da época, jamais conseguiu cursar o Ginásio e nem ao menos fazer o exame permitido pelo famoso Art. 91. Após quatro meses de estudo da Escrituração Mercantil, sem direito a diploma, começou a trabalhar em 1º de Abril de 1924. A 19 de dezembro de 1938, ingressou, através de concurso público, no Banco do Brasil S.A., em Presidente Prudente (SP), depois Ponta Grossa (PR), União da Vitória (PR), Irati (PR), Londrina (PR), aposentando-se, como Subgerente da agência de Ponta Grossa, em fevereiro de 1970.

Autodidata, tornou-se, entre outras coisas, profundo conhecedor da língua portuguesa, celebrizando-se pelo livro de sua autoria Contos de lá e de cá, considerado um clássico pelos entendidos, cuja edição de 5.000 exemplares se esgotou em pouco tempo.

Espírita-cristão dedicou-se largamente à prática da caridade em vários campos, inclusive no de curas e no receituário gratuito da homeopatia, frutos de suas notáveis faculdades psíquicas.

Orador e escritor de extensos recursos, falava e escrevia escorreita e elegantemente, de improviso, em quaisquer situações, sobre praticamente qualquer assunto. Grande conhecedor do Novo Testamento, distinguiu-se, sobremaneira pelas palestras realizadas em vários cantos do país. Falava e escrevia, correntemente, os idiomas francês e inglês. Conheceu os Estados Unidos e vários países da Europa.

Casou-se, em 25 de junho de 1931, com a ibitinguense Amélia Zinézzi Holzmann, com quem teve os seguintes filhos: Norma, casada com Altino Alves Cordeiro; Licurgo, casado com Marília Corrêa Holzmann; Alcyone, casado com Yvanyr Therezinha Marchezini Holzmann; Lineu, casado com Eva Holzmann; Alceste, Mabel e Márcia, somando mais de 45 descendentes, entre netos, bisnetos, trinetos e tataranetos, todos espíritas.

Após a aposentadoria, Ruy transferiu-se para Curitiba, onde continuou servindo, gratuita e desinteressadamente aos necessitados, na Sociedade Espírita Capa dos Pobres, até que um infarto do miocárdio deitou por terra, na véspera do Natal de 1971, ainda no pleno vigor de suas faculdades, o gigante de quase dois metros de altura e - dizer do Dr. Alexandre Sech - 120 quilos de espiritualidade. Foi sepultado no Cemitério Municipal da sua querida cidade natal, por vontade expressa antes de sua morte.

O orador espírita Divaldo Pereira Franco disse que sempre considerou muito Álvaro Holzmann, mas teve uma enorme surpresa ao entrevistar-se com o espírito Ruy: o que no Álvaro era temperamento, no Ruy eram virtudes cultivadas!

Quando Divaldo foi distinguido com o título de cidadão honorário de Ponta Grossa, fez uma notável palestra em que revelou profundos conhecimentos sobre a cidade, desde seus primórdios. Perguntado por um vereador como poderia saber tudo aquilo, informou, alto e bom som, que fora inspirado pelo espírito de Ruy Holzmann.

Pela Lei 9170, de 14.10.1997, firmada pelo Prefeito Cássio Taniguchi, seu nome foi dado a uma rua do bairro Santa Cândida, em Curitiba, como justa homenagem a quem tanto serviu aos seus irmãos...


Licurgo Holzmann



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Fonte imagens: Acervo pessoal de Heliana Brito casada com Dalton Brito, neto do fundador da Capa dos Pobres; https://pt.slideshare.net/AnneCleaLima/histria-ilustrada-do-espiritismo-no-brasil-eugenio-lara acesso em 07 abril 2022; http://www.feparana.com.br/topico/?topico=2870 acesso em 04 abril 2022; https://palavraluz.com/2021/03/21/novedicao/ acesso em 04 abril 2022; http://www.mundoespirita.com.br/?materia=joao-ghignone acesso em 04 abril 2022; Fonte biografia Ruy Holzmann: http://www.feparana.com.br/topico/?topico=555 acesso em 02 abril 2022.